x
  • Olá, o que deseja buscar?

Artigos atualize-se e recomende!

2003 em Retrospectiva 13/03/2008

Autor: Márcio Chalegre Coimbra - Fonte: Infojus




Enquanto um novo ano se inicia, cheio de esperanças e promessas, devemos

lembrar alguns fatos que foram marcantes no ano que passou, ou seja,

realizar uma espécie de balanço, algo que já se tornou um hábito neste

espaço. Traçamos uma retrospectiva de 2003, da mesma forma que lançamos

algumas perspectivas para 2004. Quando o ano que passa iniciava, brasileiros

mais eufóricos assistiam entusiasmados e chegada de Lula ao poder, enquanto

alguns mais céticos e menos movidos pela emoção, enxergavam o mesmo fato com

certa cautela. Na esfera internacional o foco se dirigia ao Iraque do agora

antigo ditador Saddam Hussein. Os americanos endureciam contra o regime de

exceção de Bagdá, que parecia estar com os dias contatos.



Entretanto, o ano que passou foi eivado de outras notícias e fatos que

marcaram o Brasil e o mundo. Uma das principais foi a comemoração do Jubileu

de Prata do pontificado de João Paulo II. O Sumo Pontífice, no ocaso de seu

papado, convive com o Mal de Parkinson, além de outros problemas de saúde.

Tal fato levou ao início das especulações no Colégio de Cardeais sobre o

futuro sucessor do chefe da Igreja Católica. Contudo, Karol Wojtila, o

primeiro não- italiano a ocupar o posto, pode ainda influenciar fortemente

na escolha daquele que irá sucede-lo. De qualquer forma, este pontificado já

deixou sua marca na história frente a dinâmica que João Paulo II imprimiu ao

cargo.



Em 2003 infelizmente perdemos Sérgio Vieira de Melo. Talvez o maior

especialista em relações internacionais do Brasil, que curiosamente não era

um diplomata de carreira do Itamaraty. Sérgio preferiu seguir longe da casa

diplomática brasileira, diretamente para as Nações Unidas. Desenvolveu

trabalhos excepcionais em países como Moçambique, Líbano, Camboja, Timor

Leste, Bangladesh, Sudão, Chipre, Kosovo, entre outros. Ao contrário de

muitos em sua profissão, não brigava por altos postos para viver as benesses

da vida diplomática em Londres, Nova Iorque, Paris ou Roma. Sérgio não tinha

medo de enfrentar missões difíceis em países destroçados, sem

infra-estrutura, muitas vezes em conflito. Por ser um ótimo político e

negociador, era admirado pela administração republicana da Casa Branca e

especialmente na ONU. Logo, Sérgio era o elo mais seguro, e talvez o único,

para guiar a situação no Iraque, reconstruindo relações que haviam se

desgastado no período anterior ao conflito. Sérgio, Alto Comissário para

Direitos Humanos da ONU, foi mais uma vítima do terrorismo internacional e

sua perda deve ser mais um motivo para se continuar a luta contra este

grande mal.



No que tange ao Iraque, o ano que passou foi o da esperada libertação do

país, bem como da prisão do ditador Saddam Hussein. Em uma campanha militar

arrasadora, os Estados Unidos tomaram Badgá em 21 dias. O povo, assim como

depois da captura do ditador, comemorou nas ruas o fim do regime de terror

de Saddam. O mundo assistiu aos embates pré-conflito no Conselho de

Segurança das Nações Unidas, e depois veio a saber as reais razões de

França, Rússia e China em se opor à libertação do Iraque: contratos de

exploração de petróleo na ordem de US$ 41 bilhões com o regime de Saddam.

Contudo, enfrentando os falsos pacifistas, os Estados Unidos cumpriram a

missão de libertar o Iraque. As armas de destruição em massa, escondidas

pelo ditador, não tardarão a aparecer, especialmente depois de sua captura.

A economia americana voltou a crescer, animando os mercados mundiais. Parece

que o corte de impostos realizado por Bush injetou combustível no consumo. O

PIB cresceu 8,2% em termos proporcionais no terceiro trimestre do ano e o

desemprego já apresenta sinais de queda. Ainda nos EUA assistimos a vitória

de Arnold Schwarzenegger para o governo da Califórnia com o seguinte slogan:

"Se você precisa de heróis, procure por Friedman e Smith", mostrando sua

clara convicção nas políticas de livre-mercado.



Além de Sérgio, o mundo perdeu diversas personalidades importantes, como o

cineasta Elia Kazan, a magnífica diva do jazz Nina Simone, a atriz Katharine

Hepburn, os atores Charles Bronson, Gregory Peck e José Lewgoy, o dramaturgo

Mauro Rasi, o jornalista Roberto Marinho, o político José Richa e a

escritora Rachel de Queiróz, entre tantos outros que deixam saudade.



O governo Lula teve uma atuação pífia, especialmente no que tange a política

externa. No âmbito econômico, foi mais austero que nos tempos de FHC. Na

área social, os escândalos da ministra Benedita da Silva e o amadorismo do

Fome Zero mostraram que o PT chegou ao poder sem projeto definido. As

reformas tributária e da previdência caminharam no Congresso, mas a um custo

que o governo ainda deverá pagar em 2004. A falta de sintonia da imensa

equipe ministerial de Lula é cristalina. O governo ainda deve mostrar a que

veio em 2004.



Por tudo isso, esperamos um 2004 melhor, em que o Brasil deixe a estagnação

e alcance a prosperidade, especialmente mediante políticas que abram a

economia para a competição e que o mundo encontre mais segurança,

especialmente com a diminuição do terrorismo. Enfim, que 2004 seja o ano da

liberdade, nos mais diversos aspectos.

_________________________________

Artigo redigido em 04.01.2004

Em Brasília, DF.











\"\"