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Viajar é gostoso 13/03/2008

Autor: Maria Lucia Victor Barbosa - Fonte: Infojus




Li nos jornais o que disse o presidente da República: “viajar é gostoso”. Concordo inteiramente com ele. Pudesse viajava também, mas como tudo que preciso ou desejo pago com meu salário, não dá para sair mundo afora sentindo aquela inebriante sensação de que a vida é uma festa.

Já o presidente da República e suas grandes comitivas podem viajar porque nós, os contribuintes (especialmente os da sacrificada classe média), sustentamos através do pagamento de pesados impostos que nos são impingidos esses constantes deslocamento nababescos.

Já estou imaginando as críticas de alguns leitores a essas minhas poucas linhas. Dirão eles que viagens são necessárias para abrir as portas do mundo ao Brasil. De fato, contatos diretos com outros países podem nos trazer benefícios e, nesse sentido, viagens de negócio são desejáveis. Mas não seria mais lógico e produtivo delegar a autoridades competentes em comércio e finanças, a tarefa de divulgar e negociar com outros países melhores oportunidades comerciais para o Brasil? Assim o presidente poderia ficar mais tempo por aqui para juntamente com sua equipe trabalhar com afinco, elaborando e pondo em prática programas capazes de minorar o desemprego em vez de acionar projetos assistencialistas que mantém os pobres sempre pobres; combater a violência urbana protagonizada por criminosos armados até os dentes (esses continuarão tranqüilamente portando armas) e a violência no campo desencadeada pelo MST; deter a degeneração na área da Saúde, inclusive levando em conta a competência e a experiência profissionais e não critérios político-partidários para nomeações; desencadear estratégias para otimizar o ensino fundamental e superar a mediocrização do ensino superior; apoiar incondicionalmente a pesquisa para fazer avançar a ciência e a tecnologia.

No mais, as viagens do presidente até agora não têm rendido grandes efeitos comerciais. Foi assim no seu périplo europeu. Na América Latina e na África foram feitas apenas generosas “doações” e perdoadas dívidas. É que na verdade essas viagens têm cunho muito mais político do que econômico. Parece que há implícito nelas um projeto ambicioso, complexo e digamos, um tanto magalomaníaco: a supremacia brasileira que lideraria o Sul-Sul contra o Norte, ou seja, os Estados Unidos. Pode-se até perguntar se nesse projeto não estaria implícita a vitória mundial da esquerda totalitária onde não faltaria a companhia de narcotraficantes e terroristas.

Essa especulação pode parecer exagerada mas não deixa ser significativa a viagem do presidente a países do Oriente Médio. Na Síria, Lula parece ter aprovado o discurso antiamericanista do presidente Bachar al-Assad, pois assinou com este uma declaração em que pedem a retirada das tropas americanas que “ocuparam” o Iraque (em nenhum momento mencionou-se o fato da Síria ocupar o Líbano). O presidente brasileiro também pregou a retirada dos israelenses das colinas de Golã onde estão as nascentes de água doce, sem nenhuma contrapartida para aquele povo que estaria fadado a morrer de sede. Aliás, Israel, como a Arábia Saudita (principal parceiro comercial do Brasil no Oriente Árabe), ficaram fora do roteiro da viagem. Note-se ainda que Lula e sua grande comitiva visitarão entre outros países a Líbia, onde o presidente se reunirá com Muamar Kadafi. Segundo o Financial Times (04/12/03), Kadafi “é acusado pelos Estados Unidos de financiar e acobertar terroristas islâmicos, incluindo os que explodiram um avião com passageiros americanos – o que motivou um longo embargo comercial ao país”.

Tudo isso pode dar a viagem ao Oriente Médio a conotação de mais uma provocação desnecessária aos Estados Unidos, maior do que a ida à Cuba onde o Lula se absteve de falar em direitos humanos pois afirmou não ser de seu feitio se intrometer na soberania de outros povos. Entretanto, há certos indícios de que o Brasil pretenderia substituir a extinta União Soviética no sustento da Ilha, o que quer dizer dar sustentação a ditadura de Fidel Castro, grande amigo do presidente Lula.

De todo modo, a viagem ao Oriente Médio parece configurar um tremendo equivoco diplomático sem grande contrapartida comercial. Enquanto isso, o espetáculo do crescimento é transferido para o ano que vem. Mas como a carga de impostos em 2004 será ainda mais escorchante, o resultado que poderá se ver é o do crescimento do enriquecimento do Estado e do empobrecimento do povo. E o que será que pensa sobre isso o presidente da República? Bem, o presidente viaja.











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