x
  • Olá, o que deseja buscar?

Artigos atualize-se e recomende!

O Vôo da Águia Republicana 13/03/2008

Autor: Márcio Chalegre Coimbra - Fonte: Infojus




Os críticos dos EUA devem estar desolados. Os números relativos ao

crescimento da maior economia do planeta, recentemente divulgados, mostram

uma recuperação invejável, ou seja, ao contrário de todos os prognósticos

escutados no Brasil (muitas vezes eivados de um antiamericanismo primário e

carentes de uma análise lúcida e objetiva), a administração republicana

conseguiu imprimir fôlego novo a economia.



A importância desta notícia é maior do que se pode imaginar. Até o momento,

os críticos da atual administração da Casa Branca apostavam suas fichas em

uma reedição do desgaste vivido por George H. Bush, em 1991, em razão do

fraco desempenho da economia, mesmo com uma vitória incontestável no Kuwait.

Estes alegavam que George W. Bush incorreria no mesmo erro de seu pai,

relegando pouca importância para a economia e destinando atenção especial

para as duas vitórias militares internacionais, no Afeganistão e Iraque. Os

números da última semana mostram que Bush pode ter aprendido a lição

histórica e já começou a virar o jogo.



O crescimento do PIB a uma taxa anualizada de 7,2% (analistas apostavam em

6%) no último trimestre é resultado de uma trajetória ascendente e sólida da

economia dos Estados Unidos. Vale lembrar que o fraco desempenho em 2001

ainda era resquício da era Clinton e de suas políticas econômicas

intervencionistas. Depois de um brutal corte de impostos, que devolveu

potencial de compra aos norte-americanos e corte na taxa de juros executado

pelo FED, políticas claramente de cunho liberalizante, a economia começou a

responder, apresentando números positivos já no início de 2002 e

deslocado-se de maneira sustentável em 2003. Talvez, em 2004 seja o ano da

colheita. Se isto se confirmar, a batalha dos democratas no próximo pleito

presidencial será muito mais difícil do que se imagina.



Os números, infelizmente, foram noticiados de forma tímida no Brasil, que

insiste em adotar, em vários aspectos, uma política oposta daquela

implementada em Washington. Enquanto os EUA cortam impostos, tudo indica que

a reforma tributária brasileira aumentará a carga sobre o contribuinte.

Assim, enquanto o governo Bush devolve dinheiro para os contribuintes, o

governo Lula retira cada vez mais recursos dos brasileiros por meio de

impostos. A recente decisão em relação as mudanças na Cofins demonstra

claramente que a política do governo brasileiro é tributar mais com vistas a

implementar programas sociais. O problema desta receita de crescimento é

simples: não é sustentável no logo prazo, pois gera somente uma bolha

artificial de crescimento por um tempo determinado. Empregos são mais

facilmente gerados de maneira oposta, ou seja, por corte de impostos, que

incentivam o consumo e, conseqüentemente, o incremento de postos de trabalho

sustentáveis no longo prazo, gerando forte musculatura econômica para o

País. Tudo indica, entretanto, que estamos muito contaminados pelo vírus

antiamericano para perceber o que é sucesso no resto do mundo.



Se a tendência de crescimento da economia mediante políticas liberalizantes

se confirmar, Bush estará a um passo da reeleição. É certo que além dos

aspectos econômicos, os resultados das operações antiterror e as

repercussões daquelas ocorridas no Afeganistão e no Iraque devem influenciar

o voto dos eleitores. De qualquer maneira, devemos lembrar que o presidente

é um político "bom de voto" e há um ano, em uma campanha liderada

pessoalmente por ele, o partido republicano colheu a vitória mais

significativa obtida por um presidente em meio de mandato em eleições

estaduais. Logo, Bush terá mais governadores ao seu lado desta vez, além da

maioria no Senado e na Câmara de Representantes. Isto sem contar o governo

da Califórnia, recentemente vencido pelo republicano Arnold Schwarzenegger -

estado que possui importantes 54 votos no colégio eleitoral.



Tudo indica que Bush aprendeu com a história. Se o vôo da águia seguir seu

curso, o partido republicano conquistará mais 4 anos a frente da Casa

Branca.



_________________________________

Artigo redigido em 04.11.2003

Em Brasília, DF.